once lost never found


Eu estou naquela pequena parte em que a vida me tirou todas as esperanças e que eu me fecho pra absolutamente tudo. Não há mais espaço para esperança no meu coração. O mesmo foi inundado por marés súbitas e amargas de angústia e afogado pelas mãos frias da escuridão e da profundeza da tristeza em que os fatos ocorreram como frames em câmera lenta. Eu me volto para cada cena. Tudo é frio e a realidade me puxa de volta para o fundo enquanto a esperança é morta e levada junto com meu coração já inundado. 
Meus olhos ainda se espantam, pois não saio desse fundo, por mais que eu tente alcançar a superfície e tente relocar a esperança no meu coração. Se repete e repete e repete novamente. Não consigo ver o futuro sem enxergar apenas o fundo me puxando para baixo o tempo todo. Sem nenhum resquício de felicidade. Eu olho em volta e penso "meu deus isso aqui só pode ficar ainda mais pior" ou "não tem como ficar pior que isso".
Sinto um sentimento de deslocamento e de desesperança tão grande que meus olhos não podem ver nada além do imenso azul que circula o meu corpo e entra em minhas veias. E tudo se torna azul novamente. 
Em mim se faz de morada o desespero, o desamparo. Pedaços de mim foram tão esmagados, que eu não consigo mais sentir o impacto. Quando eu me deparo com tudo em minha volta despedaçado não há mais reação de minha parte. 
Dentro de mim há um lado que alerta e grita para o meu outro eu desesperadamente diante da tragédia. Mas o meu outro pedaço já não consegue mais sentir a desgraça e toda a escuridão em volta de tão estragado. 

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A escrita me faz querer arrancar todos os pedaços que restaram de mim e joga-los para fora. Eu não consigo mais viver como um ser quebrado. Tristeza e azul nos meus olhos. Nada mais.

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